Author: quimicryl

BRASÍLIA – Na semana de divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, a pesquisa de mercado Focus, publicada pelo Banco Central nesta segunda-feira, 4, revelou leve alta nas estimativas para inflação. O maior destaque foi a mediana para o IPCA de 2013, que passou de 5,83% para 5,85%. Há quatro semanas estava em 5,82%. Já para 2014, a mediana das previsões para a inflação permaneceu em 5,92% de uma semana para outra, enquanto a taxa vista um mês atrás era de 5,95%.
A Focus revelou também que, no caso da mediana das estimativas suavizadas à frente para a inflação acumulada em 12 meses, houve uma leve desaceleração de 6,22% para 6,21%. Há quatro semanas, estava em 6,23%.

Para o dado que sairá esta semana, os analistas também mantiveram suas projeções. A estimativa para o IPCA de outubro permaneceu em 0,57%, patamar da semana passada. A taxa é levemente maior do que a esperada um mês atrás, de 0,56%. No caso da mediana das estimativas para o índice em novembro, houve manutenção da taxa de 0,67% ante o porcentual de 0,65% registrado quatro semanas antes.

Entre os profissionais que mais acertam as previsões para o médio prazo, o grupo denominado pelo BC de Top 5, o IPCA de 2013 deverá ficar em 5,88% como já estava a taxa vista uma semana antes – quatro semanas atrás, estava em 5,80%. No caso de 2014, porém, esse mesmo grupo revisou com bastante ênfase a expectativa para a inflação oficial do ano que vem, passando de 5,74% para 5,60% esta semana. Um mês atrás, a projeção era de 6,17%.

Selic

Depois das revisões para dois dígitos vista após última a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e ainda distante do próximo encontro, analistas consultados mantiveram suas estimativas para a taxa básica de juros, a Selic. A previsão para o final de 2013 ficou estacionada em 10,00% ao ano. Um mês antes a taxa prevista era de 9,75% ao ano. Atualmente, a Selic está em 9,50% ao ano.

No caso de 2014, a Focus revelou que a mediana das previsões para os juros básicos da economia seguiu em 10,25% de uma semana para outra ante taxa de 9,75% vista quatro semanas atrás. Sem mudanças nas estimativas, foram mantidas as médias deste ano (8,38%) e também a média para 2014 (10,25%). Um mês antes, essas taxas estavam, respectivamente em 8,34% e 9,75% ao ano.

Câmbio

Todas as projeções para o câmbio ficaram congeladas mais uma semana na pesquisa do BC. A mediana das estimativas para o câmbio para ao final de 2013 ficou em R$ 2,25, como já constava uma semana antes – um mês atrás, a expectativa mediana era de uma cotação de R$ 2,30.

Para o fim de 2014, as previsões para o dólar também ficaram estancadas, em R$ 2,40, como na semana anterior e quatro semanas atrás. Com isso, o câmbio médio para 2013 seguiu em R$ 2,16 (um mês antes era de R$ 2,17). Para 2014, foi detectado um leve ajuste, com a mediana das estimativas passando de R$ 2,34 para R$ 2,32 – quatro semanas atrás, estava em R$ 2,37.

Fonte: Estadão

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado

SÃO PAULO – O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automotivo permanecerá igual até 31 de dezembro. Moan fez essa afirmação após sair de uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Segundo o executivo da Anfavea, o ministro teria avisado que a partir de 1º de janeiro, a alíquota de IPI incidente nos veículos sofrerá um pequeno ajuste.

“Não me pergunte de quanto será este ajuste. Para nós, o ideal seria manter a alíquota inalterada durante todo o ano que vem. Mas o ministro só prometeu até 31 de dezembro de 2013”, lamentou Moan.

O presidente da Anfavea argumentou com Mantega que o mercado automotivo está estabilizado, em torno de 310 mil a 315 mil unidades por mês. No entanto, Moan disse ter trazido boas notícias para o ministro no que se refere à produção que, graças ao programa Inovar-Auto, deve fechar o ano com crescimento acima de dois dígitos em relação a 2012. “Isso deve também influenciar o consumo de autopeças”.

Moan também afirmou ter trazido boas notícias para a reunião no que diz respeito ao segmento de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. “Mas trouxemos também a preocupação com relação a esse segmento dentro do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI)”, disse o presidente da Anfavea, acrescentando que está havendo uma demanda grande por esses itens, mas que o programa está paralisado.

A avaliação de Moan é de que tanto Mantega quanto Coutinho se mostraram sensíveis à solicitação para destravar o programa. “Esperamos que o PSI volte a funcionar logo a todo vapor, porque tratam-se de três segmentos importantes para a formação bruta de capital fixo (FBCF)”, salientou.

Fonte: Estadão

Esse texto foi para a coluna do Simplificando na última edição da revista Yacht. Apesar de falar especificamente de Salvador, acho que a carapuça vale para muitas cidades desse Brasil varonil.

Quando pensamos em uma cidade desenvolvida, daquelas que daria gosto de viver, logo lembramos de metrópoles europeias, com pessoas caminhando nas ruas, andando de bicicletas, sentadas em cafés nas calçadas e aproveitando os espaços públicos limpos e arborizados. De volta à nossa realidade soteropolitana, tudo parece muito distante disso, como se vivêssemos em mundos diferentes. O curioso é que, apesar de desejarmos essa vida para a gente, somos descrentes da nossa própria capacidade ou merecimento de vivermos em uma cidade assim.

Recentemente, uma série de iniciativas visando a melhoria de Salvador começou a ser implantada em diversos setores da cidades. De compartilhamento de bicicletas, passando por recuperação de canteiros públicos, até movimentos como Salvador Meu Amor e Salvador – Viva, Ame, Cuide, dentre outros. Diferentes focos, diferentes frentes de ação, diferentes organizações, mas uma só vontade: transformar Salvador em uma cidade melhor para se viver.

Seriam todas iniciativas brilhantes, se não fosse por um detalhe: junto com elas, veio também uma enxurrada de reações um tanto descrentes e até agressivas dos soteropolitanos. Bastava navegar um pouco pelas redes sociais ou conversar com um grupo de amigos e familiares para perceber que, mais do que vontade de viver em uma cidade melhor, existe aqui uma vontade enorme de falar mal de nós mesmos. Independente do tema, os comentários invariavelmente passam pelo “mas o baiano é mal educado mesmo, já já está tudo quebrado”, ou “a ideia é até boa, mas está vendo que isso não vai certo?”, e ainda “esse povo está achando que isso aqui é Europa?!”.

Tudo isso levanta uma questão muito séria: qual a Salvador que nós queremos? E mais ainda: o que estamos dispostos a fazer para construir essa cidade? Sim, somos uma capital feita para os carros, e não para as pessoas, onde espaços públicos são transformados em estacionamentos e vias expressas recebem mais investimentos que espaços para as pessoas. Somos, sim, uma cidade para turista ver (e olhe lá!) e locais sagrados estão esquecidos e abandonados por nossas autoridades. Somos um povo mal educado para muitas coisas e ainda precisamos enraizar na nossa cultura noções muito básicas de cidadania, como não jogar lixo pela janela ou parar na faixa para o pedestre atravessar a rua.

Porém, mais importante do que o que somos hoje, é o que queremos ser amanhã. As oportunidades estão aí e a escolha é nossa: ou nos apoderamos da nossa cidade e fazemos a nossa parte para transformá-la em uma daquelas lá do primeiro parágrafo ou nos sentamos de braços cruzados e cara amargurada e reclamamos como nada disso nunca vai dar certo por aqui. O que você escolhe?)

Fonte: Eco Desenvolvimento

Por Agência Brasil

Apesar de se declarar moderado na hora das compras, o brasileiro não resiste aos impulsos e leva para casa produtos sem planejamento, revela pesquisa divulgada na terça-feira, 22 de outubro, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O levantamento mostra uma contradição no comportamento do consumidor: 88% dos entrevistados declaram-se moderados ou conservadores na hora de fazer compras, mas 47% admitiram terem comprado produtos que sequer chegaram a usar.

O estudo constatou a tendência de o brasileiro usar o consumo para satisfazer as vontades pessoais. De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados declararam pensar em compras supérfluas do mês seguinte antes mesmo de receber o salário. Além disso, 59% disseram ter comprado um produto pensando que o merece, sem analisar as condições financeiras.

Levantamento mostrou que 12% dos consumidores fazem questão de ter acesso a tecnologias de ponta assim que são lançadas

Para o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, as compras por impulso são resultado tanto de fatores psicológicos como socioeconômicos. Segundo ele, boa parte do contingente de 40 milhões de pessoas que subiram para a nova classe média na última década tem usado o consumo para se encaixar na sociedade.

“Existe um processo de redefinição da identidade de classe pelas pessoas que subiram de classe social. Por uma questão de status, elas compram mais para impressionar a família, os amigos e obter autoestima. Sem planejamento, essas pessoas adquirem produtos de que não precisam de fato e acabam se endividando excessivamente”, explica Borges. Ele ressalta que o levantamento mostrou que 12% dos consumidores fazem questão de ter acesso a tecnologias de ponta assim que são lançadas. “Será que tem necessidade?”, questiona.

Sinal de alerta

De acordo com o gerente do SPC, o consumidor deve ser ainda mais cuidadoso com as compras em tempos de aperto no crédito e baixo crescimento da economia. “Os bancos estão aumentando os juros e reduzindo a oferta de crédito. O emprego está crescendo menos. Isso deveria ser um sinal de alerta para a população, mas o consumidor continua gastando muito, mesmo num cenário menos otimista”, alerta.

Além dos fatores sociais e culturais, o especialista cita a falta de educação financeira como uma das principais causas para a impulsividade do consumidor. “Quem tem educação financeira tende a saber definir prioridades e organizar gastos e passa até a ter maior controle psicológico sobre a impulsividade. Se esse tipo de conhecimento for trabalhado desde a idade escolar, o consumidor chegará à idade adulta com maior controle sobre os gastos”, destaca.

Os trabalhadores muito pobres e os muito ricos são os que gastam menos tempo no deslocamento casa trabalho. E a nova classe média, que conseguiu comprar veículos com a melhoria da renda, está enfrentando mais engarrafamentos.

É o que aponta pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) apresentada hoje com base em análise dos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE de 2012.

De acordo com o trabalho, dos pesquisadores Carlos Henrique de Carvalho e Rafael Morais Pereira, 58% dos que ganham menos de 1/4 de salário mínimo por pessoa no domicílio gastam menos de 30 minutos nesse deslocamento. Esse percentual é semelhante aos que ganham mais de 5 salários mínimos por pessoa (56%).

A faixa de renda percentual onde há menos trabalhadores que gastam até 30 minutos no deslocamento casa trabalho é a faixa de 1 a 2 salários mínimos. Nessa faixa só 44% conseguem levar pouco tempo para se deslocar. A maioria (54%) gasta mais de 30 minutos no trânsito o que é considerado pelos pesquisadores um tempo inadequado.

“A nova classe média é que está tendo impacto no tempo de viagem”, afirmou Carlos Henrique de Carvalho em entrevista após a divulgação do trabalho.

A explicação dos técnicos é que os muito ricos podem morar perto do trabalho e por isso gastam pouco tempo. Já para os muito pobres, o indicador é sinal de “imobilidade”, segundo Carvalho, o que significa que eles ficam restritos a trabalhos apenas muito próximos de suas residências, fazendo deslocamentos a pé ou de bicicleta. Pelos dados, os muito pobres são os que menos têm acesso ao vale transporte (só 12% dos muito pobres recebem) contra a média de 40% no país.

“É preciso rediscutir a forma de subsidiar o deslocamento dos trabalhadores. Quem mais precisa é quem menos recebe. Não é à toa que os deslocamentos [dos mais pobres] são mais curtos”, afirmou Carvalho apontando para uma solução de subsídio direto aos trabalhadores informais e desempregados no país através do cadastro do Bolsa Família.

TEMPO DE DESLOCAMENTO

A pesquisa aponta ainda que piorou o tempo de deslocamento nas regiões metropolitanas do país entre 1992 e 2012 em 12%. O tempo médio saiu de 36,4 minutos para 40,8 minutos. Os locais com maiores aumentos desse número foram Belém (PA) e Salvador (BA).

As hipóteses da pesquisa são duas: as regiões metropolitanas podem ter ficado mais espalhadas, aumentando o tempo necessário ao deslocamento, e o aumento do número de famílias com veículos, registrado principalmente entre as famílias mais pobres e no Norte/Nordeste do país.

“As políticas nas três esferas de poder são de incentivo ao transporte individual. Não há políticas de segregação dos espaço urbano para o transporte público”, afirmou Carvalho citando isenções de impostos e congelamento do preço da gasolina entre outros para explicar o aumento no número de carros e a piora no tempo de deslocamento.

Enquanto no Brasil a variação de domicílios com carro foi de 9 pontos percentuais, em alguns estados do Norte e Nordeste a variação chegou a 20 pontos percentuais (Piauí) e 19 (Rondônia). Segundo Carvalho, esse percentual ainda tem espaço para crescer mais.

Nas família mais pobres (até 1/4 de salário mínimo por pessoa), o percentual de domicílios com veículos chegou a 28% em 2012 contra 16% em 2008. Nas famílias com mais de 5 salários mínimos de renda, o percentual é de 88% e cresceu apenas 2 pontos percentuais entre as duas Pnads.

“É o sonho de toda família ter uma casa própria e um carrinho na garagem como o próprio presidente Lula falava que era o sonho dele. Isso está de certa forma ocorrendo com a taxa muito alta [de famílias com carros]”, afirmou ele lembrando que serão necessários grandes investimentos em mobilidade urbana nessas regiões em cidades que têm baixa capacidade de investimento público.

São Paulo e Rio de Janeiro já têm quase 1/4 das pessoas levando mais de uma hora no deslocamento casa trabalho, sendo que em São Paulo esse percentual era 7 pontos percentuais menor há 20 anos. Para Carlos, esse tempo de deslocamento é inadequado e leva a problemas na produtividade dos trabalhadores. Segundo ele, são necessários melhorar as políticas de segregação para o transporte público e melhorar a distribuição dos empregos pelas regiões para evitar deslocamentos longos dos trabalhadores.

Fonte: Folha de São Paulo