Author: quimicryl

Ao fazer uma simples troca de óleo lubrificante no veículo em um estabelecimento qualquer, o consumidor quase nunca imagina que a iniciativa pode significar um ato que pode gerar graves consequências para o meio ambiente. Caso o estabelecimento escolhido para o serviço não faça parte do sistema nacional de recolhimento de óleo usado e contaminado, seu descarte incorreto pode resultar em contaminação química e os danos podem ser irreversíveis.
Os Óleos Lubrificantes Usados ou Contaminados (Oluc), vulgarmente conhecido como óleo queimado, é considerado um resíduo tóxico persistente e perigoso não só para o meio ambiente, como também para a saúde humana. São cancerígenos e provocam, entre ouros males, a má-formação dos fetos. A prática tecnicamente recomendada para evitar a contaminação química é o envio do resíduo para a regeneração e recuperação por meio do processo industrial chamado de rerrefino.
Para se ter uma ideia do grau de toxicidade do resíduo, um litro de óleo lubrificante usado pode contaminar um milhão de litros de água. Mil litros deste óleo podem destruir uma estação de tratamento de água para 50 mil habitantes. Se for queimado como combustível em padarias ou olarias, o ar ficará saturado de gases venenosos e cancerígenos de alta toxicidade. Derramado no solo, pode poluir irreversivelmente lençóis freáticos e aquíferos.
O óleo usado ou contaminado é rico em metais pesados, ácidos orgânicos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e dioxinas, todas substâncias altamente poluentes.
Para evitar esse tipo de contaminação, há cinco anos, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou a Resolução nº 362/2005 regulando as atividades de coleta e recolhimento destes óleos lubrificantes. Com a aprovação da Norma, foi possível criar um sistema harmônico e claro para a gestão deste perigoso resíduo, estabelecendo obrigações e ações coordenadas para evitar o caos ambiental.
Mas além do benefício ambiental, o processo de rerrefino também oferece vantagens econômicas, pois quando coletados e corretamente encaminhados à reciclagem, por meio do processo de rerrefino, os olucs são transformados novamente em óleo lubrificante , numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento. Representam um recurso mineral valioso e possibilitam a geração de importante parcela de óleos básicos, destinados à formulação de lubrificantes acabados essenciais para a operação de maquinário de diversos segmentos industriais como, por exemplo, operações de corte, estampagem, fabricação de borrachas, metalurgia, etc.
Uma outra vantagem do rerrefino é apontada pelo coordenador do Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) da Resolução 362/2005, Edmilson Rodrigues da Costa. Ele explica que a questão envolve até mesmo a soberania nacional. “Para fazer o óleo lubrificante, usa-se uma parte do petróleo chamada óleo leve e o nosso petróleo é muito pesado. Como o Brasil importa esse óleo do Oriente Médio, então quanto mais óleo for recolhido e quanto maior a quantidade de rerrefino menos óleo a gente vai ter de importar”, explica.
Desde junho de 2005, vem sendo feito um rigoroso monitoramento do recolhimento e rerrefino dos óleos usados ou contaminados no Brasil. A entrada em vigor da Resolução criou uma rotina bem sucedida de ações articuladas entre as três esferas de governo e a sociedade civil que vem, ano a ano, retirando do meio ambiente uma quantidade cada vez maior deste agente poluidor. A Resolução inovou ao criar um sistema de logística reversa, obrigando os produtores e importadores a coletar todo o óleo disponível ou garantir o custeio de toda a coleta dos olucs efetivamente realizada.
Além de editar a Resolução, o Conama inovou uma vez mais ao criar um Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) para verificar a aplicabilidade da Resolução, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. Além do MMA e dos ministérios de Minas e Energia e das Cidades, fazem parte do GMP os órgãos estaduais e municipais de meio ambiente, a sociedade civil, representada pelas organizações não-governamentais ambientalistas e o setor empresarial.
O engajamento da sociedade organizada e de vários segmentos do setor empresarial também confere ao GMP uma dimensão participativa ainda maior. Além do Governo Federal fazem parte do grupo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), Associação Brasileira de Entidades de Meio de Meio Ambiente (Abema), Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Sindicato das Indústrias Petrolíferas (Sindipetro), Sindicato do Comércio de Lubrificantes (Sindilu), Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa), Força Verde Ambiental do Paraná entre outros.
A Resolução aprovada pelo Conama determinou que todo óleo usado ou contaminado deve ser recolhido, coletado e ter destinação final, de modo que não afete negativamente o meio ambiente e propicie a máxima recuperação dos constituintes nele contidos.
Estabeleceu aos produtores e importadores a obrigação de coletar, ao menos anualmente, um percentual mínimo não inferior a 30%, em relação ao óleo lubrificante acabado comercializado. Posteriormente, os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia editaram uma Portaria, em conjunto, com metas de recolhimento regionais e nacional. Estas metas vão até 2011 e terão de ser revistas para um período de mais quatro anos.
Atualmente, cinco anos após a entrada em vigor da Norma do Conama, o Brasil exibe um percentual de 36% de recolhimento de óleo usado e aposta que em até meados da próxima década atingirá a meta de 42% de recolhimento.
Edmilson da Costa, no entanto, explica que apesar do sucesso da Resolução, os números não revelam todo o quadro brasileiro. “Em nível nacional, diz ele, os números andam bem, mas isso porque o sudeste e o sul vêm puxando esses números para cima. O centro-oeste, o norte e o nordeste ainda se encontram bem distantes das metas programadas”.
Porcentagem ideal – As metas estabelecidas vão mudando a cada quatro anos e o ideal é que o Brasil atinga a faixa de 60% de rerrefino. Para o coordenador do GMP, para se atingir esse patamar, em primeiro lugar é preciso ampliar a consciência da sociedade no sentido de que ela deve trocar o óleo do veículo em agentes credenciados. Em segundo lugar, coibir o desvio de grande quantidade de olucs que vem sendo utilizada como óleo combustível na queima de caldeiras em olarias, pardarias e outros. Por último, controlar a venda de óleos lubrificantes em supermercados.
Edmilson Costa afirma que a venda em supermercados, minimercados e outros estabelecimentos atrapalha o sistema de logística reversa, uma vez que este tipo de estabelecimento não se sente responsável pela coleta. “O óleo vendido em posto de gasolina tem um controle, o vendido em supermercado não, porque eles não fazem parte do sistema da logística reversa estabelecido pela Norma Conama”.
Mobilização – Um anos após a aprovação da Resolução, o GMP realizou um seminário nacional para organizar os passos seguintes da aplicação da Resolução. De acordo com Edmilson da Costa, a partir de então, foi montado um sistema de capacitação de técnicos de órgãos municipais e estaduais. Dentro desta lógica, foram realizadas quatro oficinas regionais para debater a Resolução e também uma oficina nacional. No momento, estão sendo realizadas minioficinas regionais. “No último ano, fizemos oficins nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba, Amazonas e na Bahia. A intenção é fazer chegar a informação correta a um número cada vez maior de atores, e das pessoas da sociedade como um todo”, diz o coordenador.
Segundo ele, já foram capacitadas em torno de 600 pessoas entre técnicos de meio ambiente, de universidades, da defesa civil, do Corpo de Bombeiros, sindicatos de classe relacionados ao trânsito, como rodoviários e ferroviários.
Atualmente, o grupo vem desenvolvendo um trabalhando junto aos caminhoneiros. O coordenador do GMP informa que o Sindirepa está elaborando um estudo que irá apontar qual o melhor caminho para se chegar a essa categoria. “A maioria dos caminhoneiros tem consciência de que precisa trocar o óleo em um local correto, mas ele precisa entender que existem lugares que fazem a troca mas não fazem a destinação correta para o rerrefino. Eles precisam entender que neste locais deve existir o certificado de coleta, com adesivo da ANP, tem que haver uma série de cópias dos certificados para a garantia de que foi destinado corretamente. Quando conseguirmos atingir os caminhoneiros, estaremos atingindo um ponto nevrálgico desta iniciativa”, garante Edmilson da Costa.
Atores – São cinco os participantes da cadeia de comercialização do óleo lubrificante até o processo de rerrefino. São eles:
Produtores e importadores – Pessoas jurídicas que introduzem o óleo lubrificante acabado no mercado e possuem a obrigação legal de custear sua coleta e de informar aos consumidores (geradores) as obrigações que estes têm e os riscos ambientais decorrentes do eventual descarte ilegal do resíduo. Aqui entra o sistema de logística reversa;
Revendedores – Pessoas jurídicas que comercializam óleo lubrificante acabado no atacado e no varejo, que dentre outras obrigações devem receber dos geradores o óleo lubrificante usado ou contaminado, em instalações adequadas;
Geradores – Pessoas físicas ou jurídicas que em função do uso de lubrificantes geram o óleo lubrificante usado ou contaminado e que têm obrigação de entregar este resíduo perigoso ao pondo de recolhimento (revendedor) ou coletor autorizado;
Coletores – Pessoas jurídicas devidamente licenciadas pelo órgão ambiental competente e autorizadas pelo órgão regulador da indústria do petróleo, para realizar atividade de coleta de óleo lubrificante usado ou contaminado, entregando-o ao rerrefinador;
Rerrefinadores – Pessoas jurídicas devidamente autorizadas pelo órgão regulador da indústria do petróleo e licenciadas pelo órgão ambiental competente, para a atividade de rerrefino, que tem por obrigação remover os contaminantes do resíduo perigoso e produzir óleo lubrificante básico conforme especificação da ANP.
(Fonte: Suelene Gusmão/ MMA -18 / 01 / 2011) clique para acessar

Até 2014 coleta seletiva estará implantada em todo Brasil.
Por Suelene Gusmão, do MMA

Em quatro anos, no dia 3 de agosto de 2014, o Brasil estará livre dos lixões a céu aberto, presentes em quase todos os municípios brasileiros. Isso é o que define o artigo nº 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), recentemente regulamentada por Decreto Presidencial, em 23 de dezembro de 2010. Também ficará proibido, a partir de 2014, colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização.
Isso significa que os municípios brasileiros, para se adequar a nova legislação, terão que criar leis municipais para a implantação da coleta seletiva.
Uma outra data definida na regulamentação da PNRS é quanto à elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Pela regulamentação, a União, por meio do Ministério do Meio Ambiente, tem 180 dias de prazo, a contar da publicação do Decreto, para elaborar a proposta preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, com vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 anos, devendo ser atualizado a cada quatro. A proposta do plano será submetida à consulta pública, pelo prazo mínimo de 60 dias.
Em sua versão preliminar, o Plano de Resíduos Sólidos vai definir metas, programas e ações para todos os resíduos sólidos. Para sua construção, a ser coordenada por um comitê interministerial, será utilizada a experiência e estudos sobre resíduos sólidos já acumulados em 18 estados da Federação.
O Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e composto por nove ministérios mais a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Logística reversa – De acordo com o texto do Decreto, logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.
A regulamentação definiu como se dará a responsabilidade compartilhada no tratamento de seis tipos de resíduos e determinou a criação de um comitê orientador para tratar destes casos específicos. São eles: pneus; pilhas e baterias; embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes além das lâmpadas fluorescentes e dos eletroeletrônicos. O comitê orientador vai também definir cronograma de logística reversa para um outro conjunto de resíduos que inclui as embalagens e produtos que provoquem impacto ambiental e na saúde pública.
Os instrumentos para operar os sistemas de logística reversa são: acordos setoriais; regulamentos expedidos pelo Poder Público; ou termos de compromisso.
O Secretário de Recursos Hídricos de Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Silvano Silvério, explica que pela nova lei, o cidadão passa a ser obrigado a fazer a devolução dos resíduos sólidos no local, a ser previamente definido pelo acordo setorial e referendado em regulamento, podendo ser onde ele comprou ou no posto de distribuição. Segundo ele, a forma como se dará essa devolução, dentro de cada cadeia produtiva, será definida por um comitê orientador, a ser instalado ainda no primeiro semestre de 2011.
Atualmente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece, por meio de Resolução, os procedimentos para o descarte ambientalmente correto de quatro grupos de resíduos. São eles: pneus(Resolução 416/2009); pilhas e baterias (Resolução 401/2008); óleos lubrificantes (Resolução 362/2005); e embalagens de agrotóxicos (Lei nº 7.802/1989). Os acordos setoriais ou os termos de compromisso servirão para revalidar ou refazer os que está definido nas resoluções e leis em vigor.
Embalagens – A novidade que a regulamentação traz é a obrigatoriedade da logística reversa para embalagens. O secretário explica que é possível aplicar o procedimento para todo o tipo de embalagem que entulham os lixões atualmente, inclusive embalagens de bebidas. Ele relata, inclusive, que o Ministério do Meio Ambiente já foi formalmente procurado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) para informar que estão aptos a fazer a coleta de óleos lubrificantes. O MMA foi também procurado pela Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) que demonstrou interesse em implantar a logística reversa em embalagens de vidro.
Segundo ele, existem duas formas de se fazer a logística reversa para embalagens. Uma, de iniciativa do setor empresarial, que pode instituir o procedimento para uma determinada cadeia. A outra, de iniciativa do Poder Público. Neste caso, o primeiro passo é a publicação de edital, onde o comitê orientador dá início ao processo de acordo setorial. No edital estarão fixados o prazo, as metas e a metodologia para elaboração de estudos de impacto econômico e social.
Os acordos setoriais são atos de natureza contratual firmados entre o Poder Público e os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes visando à implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
Depois de definidas as bases do acordo setorial, os setores envolvidos no processo de logística reversa definem como pretendem fazê-lo. A proposta é levada ao Governo Federal para análise. Estando em acordo ao que estabelece o edital, a proposta é acolhida e homologada via Comitê Orientador. A partir de então, o processo de logística reversa começa a ser implementado. O Governo Federal pode transformar o acordo em regra nacional por meio de regulamento..
O processo vale para os eletroeletrônicos. A partir do momento em que o Comitê Orientador definir o processo de logística reversa, ficará determinado onde o cidadão deve devolver seu resíduo. Silvano Silvério informa que o comitê orientador estabelecerá, por edital, o início dos acordos setoriais.
Catadores – A regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) dá atenção especial aos catadores de materiais recicláveis. Está definido, por exemplo, que o sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos e a logística reversa priorizarão a participação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Determina também que os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos definam programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis também constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Diretrizes – A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010, contém as diretrizes para a gestão, o gerenciamento e o manejo dos resíduos sólidos. Ela também incentiva os fabricantes a adotar procedimentos adequados à produção de produtos não agressivos ao ambiente e à saúde humana e à destinação final correta dos rejeitos da produção.
Sua aprovação representou um amplo consenso envolvendo todos os atores que fazem parte dos mais diversos ciclos da produção de resíduos sólidos no Brasil.
Ela trata de temas amplos e variados que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, envolvendo conceitos como área contaminada, ciclo de vida do produto, coleta seletiva, controle social, destinação final ambientalmente adequada, gerenciamento de resíduos, gestão integrada, reciclagem, rejeitos, responsabilidade compartilhada e reutilização.
A nova política é clara em definir de que forma se dará o gerenciamento dos resíduos, indicando inclusive sua ordem de prioridade que será a de não-geração, a de redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos. A nova política cria também um sistema nacional integrado de informações sobre resíduos sólidos. O sistema será responsável por recolher e divulgar informações com rapidez e qualidade.

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20 de janeiro de 2011 | 9h 33
FABIANA HOLTZ – Agencia Estado

SÃO PAULO – As vendas de materiais de construção no Brasil cresceram 12,14% em 2010 em relação ao ano anterior, de acordo com pesquisa divulgada hoje pela Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat). O resultado ficou dentro do esperado pela entidade, que previa expansão próxima de 12%, mas o índice ainda está 1,57% abaixo do alcançado em 2008.

Seguindo a tendência que já vinha sendo observada no segundo semestre do ano passado, por segmento, o indicador de vendas para itens de acabamento registrou no mesmo intervalo acréscimo de 15,15%, enquanto o da indústria de materiais básicos subiu 10,62%. Para 2011, as projeções apontam um avanço menos vigoroso das vendas, com alta de 9%. Inicialmente, a entidade previa crescimento entre 10% e 12% no faturamento para este ano.

Dezembro

Em dezembro, as vendas do setor cresceram 6,96% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o nível de empregos gerados pela indústria aumentou 7,16%. Por segmento, no mês passado as vendas dos itens de acabamento subiram 17,91% na comparação com dezembro de 2009, enquanto as da indústria de materiais de base aumentaram 1,40%.

Em relação a novembro, no entanto, as vendas caíram 8,88% em dezembro e o nível de empregos ficou estável (0,03%). Houve retração de 9,86% nas vendas do segmento de acabamento e queda de 8,29% na indústria de materiais básicos.

Em nota, o presidente da entidade, Melvyn Fox, explica que a discrepância no desempenho dos dois segmentos em dezembro ante o mesmo mês do ano passado se deve ao início de diversas obras em 2008, que impulsionaram o consumo de materiais de base. “Agora, muitos desses empreendimentos estão em fase final, daí esse crescimento mais forte de materiais de acabamento”, diz Fox.

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Empresas que participaram da elaboração da ISO 26000 se reuniram em seminário organizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV para discutir sobre os desafios que devem ser enfrentados ao incorporar a nova norma de responsabilidade social
Marina Franco – Edição: Mônica Nunes
Empresas que implantam ações de responsabilidade social receberam recentemente uma grande contribuição, a norma ISO 26000, que estabelece diretrizes para negócios focados em temas como direitos humanos, meio ambiente, envolvimento comunitário, entre outros (Leia a reportagem/entrevista ISO 26000 lança sua versão brasileira). Agora, o desafio é saber como essas organizações se adaptarão e incorporarão a nova Norma.

Para estabelecer os desafios, nada melhor do que ouvir das próprias empresas quais são suas expectativas e identificar os desafios têm pela frente. Algumas organizações brasileiras estiveram reunidas no Grupo de Trabalho, coordenado pelo GAO – Grupo de Articulação das ONGs Brasileiras, e participaram da formulação do texto normativo. O objetivo era estudar a Norma e compartilhar conhecimentos sobre o tema. Os resultados desta experiência foram apresentados por Aaron Belinky, secretário-executivo do GAO, durante o seminário Oportunidades e Desafios na Aplicação da ISO26000 nas Organizações, realizado no dia 15 pelo GVCes – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV.

O maior desafio destacado pelo Grupo de Trabalho foi o de adaptação de ações empresariais à Norma. No caso de empresas que ainda não se relacionam com o tema, o trabalho será maior, já que têm que engajar toda sua estrutura e funcionários. Mesmo nas empresas mais envolvidas, é preciso que a ISO 26000 seja estudada e trabalhada exaustivamente a fim de disseminar esse conhecimento entre todos os profissionais.

“É preciso ler, pensar e debater”, afirmou André Leal, coordenador de Desenvolvimento Sustentável da Braskem. “Surgiram muitas questões no debate entre as empresas do Grupo de Trabalho, inclusive algumas que não estavam tão claras para nós, e elas já estão sendo trabalhadas para aplicar ao nosso trabalho”, disse. Para Juliana Rehfeld, gerente corporativa de Desenvolvimento Sustentável da Anglo American, a grande contribuição da Norma é servir de base para o debate entre os profissionais das empresas. “A maior parte das pessoas é técnica. Responsabilidade social não faz parte da discussão. Por isso, a ISO traz a grande oportunidade de promover uma discussão embasada na sua orientação. O debate não foi esgotado no grupo de trabalho, nem deve se esgotar nas empresas e setores”.

E o trabalho de envolver os profissionais começa com a alta gerência, como afirmou Simone Veltri, gerente de Responsabilidade Social da Souza Cruz. “A governança é fundamental para incluir responsabilidade social na estratégia das empresas. E começa com o engajamento da alta direção. Depois, para o estabelecimento de iniciativas socialmente responsáveis, é diluído pelas demais áreas de negócio”.

Sem dúvida, esta Norma de orientação para a responsabilidade social ajudará a motivar o setor privado a se envolver com o tema. Daí surge mais um desafio identificado pelo grupo: como comunicar de forma correta o alinhamento com os itens da ISO. Já que a Norma não tem caráter de certificação, essa representação não terá tanta visibilidade quanto oferecem os selos. E por abrangerdiversos temas, na prática é impossível que uma companhia siga a todos eles. Por isso deve ser especificado quais itens são seguidos.

Uma das formas de divulgar o seguimento da Norma pelas empresas seria declarar, no balanço de fim de ano, a forma como o instrumento as orienta. “Essa declaração não terá a cara de um relatório de auditoria, mas pode estar presente no relatório de sustentabilidade, dizendo de que forma a organização está adaptada, ou seja, quais os itens da Norma que segue”, afirmou Aaron. Uma das recomendações do Grupo de Trabalho para melhor lidar com a grande abrangência da ISO é que se crie “filhotes” da norma, ou seja, recortes de temas ou itens que a empresa pretende seguir.

O trabalho de comunicação pode dar força à valorização das partes interessadas (ou stakeholders) em ações socialmente responsáveis, como ONGs, sindicatos e grupos empresariais. Um dos aprendizados que surgiu a partir do Grupo de Trabalho foi o de que isto é mais importante do que exaltar tanto suas próprias ações. “A Norma fala que temos que aprender a lidar com a relação tensa que existe entre empresas, ONGs, investidores e sociedade. Se há algum divergência, deve-se privilegiar aquilo que contribua para o desenvolvimento sustentável”, disse Simone Veltri.

Uma vez estabelecidos os rumos para o alcance à responsabilidade social e à Norma, a próxima etapa é calcular seus benefícios econômicos. “O desafio é mensurar os investimentos em responsabilidade social. Estamos testando em algumas empresas, por exemplo, uma ferramenta que calcula a relação entre o investimento em qualidade de vida e de trabalho e o retorno de produtividade”, afirmou Sérgio Monforte , analista de Desenvolvimento Social do SESI – Serviço Social da Indústria. Além deste ramo, as empresas teriam que buscar formas de quantificar o retorno de investimentos em ações em prol de meio ambiente, direitos humanos ou questões do consumidor.

Aaron afirma que, com todo esse trabalho pela frente, a Norma resultará, inevitavelmente, na construção de uma agenda de responsabilidade social positiva para o país. Profissionais, stakeholders e empresas ganharão respaldo para as suas ações e o tema ainda teria maior visibilidade entre a mídia e a população. “Acho que o processo de desenvolvimento desta Norma também vai inspirar muitos processos de outras normas que virão pela frente aqui no Brasil”, acrescentou.

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