Author: quimicryl

Em sua gestão, a bióloga Izabella Teixeira, de 49 anos, ministra do Meio Ambiente, vai mirar as cidades, onde vive 80% da população brasileira. Em sua primeira entrevista após a posse, ela disse ao Valorque considera o lixo e o esgoto os dois principais problemas ambientais do país.

Nascida em Brasília e funcionária de carreira do Ibama há 26 anos, Izabella fala na necessidade de buscar consensos e convergências. É assim que enxerga as políticas de clima, de biodiversidade e de recuperação das áreas degradadas.

Braço-direito do então ministro Carlos Minc, assumiu a pasta em abril de 2010, quando ele se lançou a deputado estadual no Rio. Izabella não tem o espírito midiático do antecessor e é muito diferente da personalidade inspiradora de Marina Silva. “O Ministério tem que formular políticas com outros parceiros. Nós não fazemos nada sozinhos”, explica, em frase-síntese da marca que pretende imprimir a sua gestão.

Fonte: http://www.valoronline.com.br/impresso/primeira-pagina/3021/367205/gestao-ambiental-vai-mirar-as-cidades

O comportamento das empresas nas relações de trabalho é a ação de responsabilidade social mais valorizada pelo brasileiro. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, em parceria com o Instituto Ethos, com 880 pessoas em 11 capitais, que mensurou a percepção do consumidor sobre a sustentabilidade empresarial. Práticas como promoção de igualdade e diversidade, adoção de políticas justas de remuneração e combate ao trabalho infantil, por exemplo, estão entre as medidas mais importantes que as companhias podem adotar para garantir a admiração dos consumidores.

De acordo com Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, as relações com os funcionários estão entre as ações mais bem avaliadas pelo fato de que a maioria dos entrevistados é composta por trabalhadores. “O consumidor tende a destacar um conjunto de práticas que dizem respeito à própria realidade”, afirma.

O item que ocupa o topo do ranking está relacionado à igualdade de oportunidades para mulheres, negros e pessoas com deficiência. Em segundo lugar, os consumidores valorizam as empresas com metas para reduzir diferenças raciais e de gênero. As políticas justas de remuneração estão na quarta posição do levantamento.

Embora sejam bem vistas pelos brasileiros, as ações relativas ao respeito com o trabalhador ainda não são efetivamente adotadas pelas companhias na mesma medida. Enquanto 80% dos entrevistados apontam que essas práticas são importantes, apenas 44% das empresas promovem ações de recursos humanos nesse sentido. “As empresas ainda pautam suas práticas em função dos valores de seus principais executivos”, diz Mattar. (VS)

Fonte: http://www.valoronline.com.br/impresso/eu-carreira/108/367023/brasileiros-valorizam-as-boas-relacoes-de-trabalho

Fonte: Folha.com

GUSTAVO PATU
SHEILA D’AMORIM

Uma das principais vitrines da campanha da presidente Dilma Rousseff, o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” desembolsou no ano passado pouco mais de um quinto do total disponível no Orçamento.

Os dados, fechados ontem no sistema de acompanhamento dos gastos do governo, ajudam a dimensionar o atraso no cronograma oficial –no mês passado, o governo anunciou ter fechado 1 milhão de contratos de financiamento imobiliário, mas sem detalhes quanto ao andamento das obras.

Quando lançou o programa, durante a crise econômica de 2009, foi prometida a construção desse número de moradias, sem prazo definido. Segundo balanço obtido pela Folha, atualizado até 27 de dezembro, apenas 230 mil casas e apartamentos foram efetivamente entregues.

O desempenho do “Minha Casa” comprometeu os resultados totais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que reúne os investimentos considerados prioritários pelo governo.

Destinada a financiar a construção e a aquisição de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 mensais, a iniciativa foi contemplada com R$ 7,3 bilhões na lei orçamentária de 2010. Desse total, apenas R$ 1,6 bilhão (22%) foi gasto de fato.

O restante do PAC, composto majoritariamente por obras públicas em rodovias, ferrovias, portos, saneamento e urbanismo, teve taxa de execução de 82%. Com o “Minha Casa”, a execução total caiu para menos de 70%.

Procurada pela Folha, a Caixa, principal agente do programa, afirmou que considera as metas cumpridas em razão das unidades contratadas, independentemente da execução orçamentária.

Embora tenha papel decisivo no programa, o dinheiro do Orçamento –ou seja, da arrecadação de impostos– não é utilizado diretamente nos financiamentos para aquisição de moradias.

A maior parte dos recursos é repassada para bancos ou fundos públicos, para permitir a concessão de financiamentos com juros abaixo dos do mercado. Em outras palavras, são subsídios liberados em benefício dos tomadores de empréstimos, à medida que os contratos avançam.

A Caixa disse não ter dados disponíveis para avaliar a relação entre a baixa execução orçamentária e o estágio dos contratos.

O balanço obtido pela reportagem aponta que, até o dia 27, a contratação somava pouco menos de 940 mil moradias. As mais de 60 mil restantes, portanto, deveriam ser contratadas nos últimos quatro dias do ano.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/856272-minha-casa-minha-vida-usa-apenas-22-de-verba-do-orcamento.shtml

As dores do crescimento acelerado do mercado imobiliário chegaram ao coração da construção civil – as obras. Há um problema, quase generalizado, de estouro de prazos e, em muitos casos, de orçamento. Tudo isso porque o cérebro também padece. A falta de engenheiros seniores nos canteiros, que tiveram de assumir posições mais estratégicas, promoveram a ascensão de recém-formados para a coordenação das obras. Só nos últimos dois anos, o volume de obras foi multiplicado por seis vezes. O efeito colateral desse aumento quase exponencial do setor e dos seus desafios é a procura pelo gerenciador de obras, uma espécie de auditor da construção civil.

Com a entrada maciça no setor imobiliário de investidores com perfil financeiro, como fundos imobiliários, fundos de pensão e fundos de private equity – tanto nacionais, quanto estrangeiros – houve um aumento da procura por esse tipo de serviço. “Se estourar prazo e custo, há uma redução na margem dos fundos”, diz Roberto de Souza, sócio da CTE, empresa de gerenciamento de obras e consultoria, que cresce a uma taxa de 40% ao ano desde 2007. “Os investidores estão preocupados em minimizar os riscos técnicos”, acrescenta. O desembolso de caixa fora do planejado é considerado muito sério.

Segundo Hernani Varella Júnior, da Tallento Engenharia, que já gerenciou 130 empreendimentos, os investidores – especialmente os estrangeiros – sentem falta de uma auditoria financeira, transparência dos números e índices que permitam medir a eficiência (ou não) do projeto.

Quem também contrata o gerenciador de obra são as próprias incorporadoras – que nem sempre atuam como construtoras. Tanto as companhias que terceirizam o serviço, quanto as que têm as próprias construtoras, mas fecham parcerias com companhias locais para atuar fora de São Paulo, começam a procurar o gerenciamento de obras. “Conhecer as regionalidades é importante e faz diferença: em Belém, por exemplo, chove de três a quatro meses por ano”, diz Varella. “Tudo isso impacta os prazos e custos.”

Varella mostra uma tabela de várias obras, com controle de orçamento, prazo e qualidade. Na coluna de prazos, 90% aparecem com um sinal vermelho. No resto, uma mescla de bolinhas amarelas e verdes. “Obra é como maratona, o começo é difícil, mas depois vai mais fácil”, diz. “Mas, se parar no meio, precisa voltar ao zero, porque perdeu a equipe que já estava treinada e afinada”, explica. Nos cálculos de Varella, um mês de obra parada exige dois a três meses para retomar.

Além do controle de custos – que sempre foi o foco desse tipo de trabalho – agora a atenção voltou-se para o atraso e a qualidade, que também começa a se tornar um problema sério. Segundo um executivo do setor, a maioria das incorporadoras não poupa esforços para vender, porque venda é receita. “Mas obra é vista como custo e tudo o que está ligado a custos precisa ser cortado, acreditam algumas empresas”, diz. E isso acaba tendo reflexos nos atrasos e na qualidade.

Na sua opinião, a demora na entrega dos imóveis não está na falta de materiais. Não há problema de fornecimento, garante. Mão de obra, sim, é problema, mas não chega a ponto de atrasar uma entrega nas proporções que estão sendo vistas. Durante a crise, faltou dinheiro, e os recursos provenientes das vendas foram usados para outros fins – que não a própria obra. Agora, esses empreendimentos, que demoraram mais de um ano para sair do chão, estão no auge do atraso. E tempo perdido não volta.

O ponto principal está na falta de mão de obra especializada. As empresas entraram numa nova escala de obras e não há formação de engenheiros civis na mesma proporção. “Os engenheiros experientes foram para a diretoria e coordenação”, diz Roberto de Souza. Os engenheiros juniores, recém-formados e com pouca experiência, acabaram assumindo as obras. Começam como estagiários e, assim que se formam, já coordenam uma obra – algo que antes só acontecia depois de cinco a dez anos de experiência. O problema é que os projetos hoje são muito maiores e mais complexos, erguidos em terrenos grandes e com várias torres.

“Apontar o problema é muito simples, mas tem de trazer soluções”, diz Eduardo Zaidan, diretor do SindusCon. “Gerenciador nenhum consegue recuperar obra atrasada”, diz. Por isso, conta Zaidan, o importante é que o serviço seja contratado na fase do projeto. Na sua avaliação, trata-se de um serviço importante por trazer uma visão diferente para o canteiro e, como exige prestação de contas, faz com que a equipe trabalhe mais vigilante.

As próprias gerenciadoras concordam que o trabalho deve começar do projeto. Entre as soluções apontadas no meio do caminho, dizem, estão a redução de desperdício e do chamado retrabalho, além da compra de materiais de construção importados e do treinamento da mão de obra. “Fomos à China cadastrar fornecedores, como cerâmica, porcelanato, pastilha de fachada e esquadrias”, conta Varella, da Tallento. Já houve casos de importação de aço do Leste Europeu.

Fonte: http://www.valoronline.com.br/impresso/cte/56103/348211/gerenciador-assume-papel-de-salvador

Para gerenciar uma obra, o engenheiro precisa ser experiente e isso significa mais de 15 anos de atuação. É necessário ter algumas obras no currículo e o ciclo de cada projeto é de pelo menos três anos. E, claro, ainda existe o problema da falta de mão de obra especializada que acomete o setor e que também bate à porta das empresas de gerenciamento de obras.

Mas com um agravante: precisam competir com as companhias de capital aberto, que são muito maiores, e geralmente oferecem remunerações mais altas e planos de ações. Se a vantagem não estiver no salário, está na contratação. Nas grandes empresas, os profissionais têm carteira assinada, o que nem sempre acontece em uma empresa de menor porte.

Segundo o Valor apurou, um engenheiro pleno, que não ocupa um cargo de diretor, tem salário de cerca de R$ 16 mil por mês – o que custa o dobro para a companhia no regime CLT.

“A falta de engenheiros limita muito o nosso trabalho, porque para atuar como gerenciador de obras são necessários, no mínimo, 15 anos de experiência”, diz Salim Lama Neto, da MHA Engenharia, que tem cerca de 70 projetos em andamento e atua nas áreas hospitalar, industrial e de shopping center.

Para reter profissionais, a CTE, com 130 funcionários, investe em um programa de aperfeiçoamento, que paga 50% de cursos, e adotou uma política de remuneração variável. “Atualmente, temos distribuído 40% do nosso lucro e temos conseguido manter uma rotatividade baixa”, diz Roberto de Soza, sócio da empresa. (DD)

Fonte:http://www.valoronline.com.br/impresso/empresas/102/348225/companhias-enfrentam-falta-de-engenheiros-experientes

Os preços da nafta, uma das principais matérias-primas básicas para a produção de resinas termoplásticas, atingiram no início deste mês a maior alta pós-crise financeira global, que teve início em setembro de 2008. O aumento reflete a recuperação dos preços do petróleo e a boa demanda no mercado internacional, puxados pelos países emergentes, como Brasil e China.

A valorização da commodity acumulada nos últimos 12 meses atingiu 18,6% – nos últimos 24 meses foi de 287%, segundo levantamento do Valor Data. Ontem, a cotação da nafta ARA, com base nos portos europeus (Antuérpia, Roterdã e Amsterdã), região importadora, fechou a US$ 836 a tonelada, de acordo com levantamento da Bloomberg. O último maior pico foi de US$ 844 em 29 de setembro de 2008.

A recuperação dos preços da nafta começou com maior vigor a partir de novembro e a expectativa é de que as cotações fiquem estáveis nesses patamares firmes nas próximas semanas, afirmou Otávio de Carvalho, diretor da consultoria petroquímica Maxiquim.

O Brasil importa cerca de 35% da nafta que as indústrias consomem. As compras dessa matéria-prima estão sendo feitas, em média, com um mês de antecedência. A Braskem domina este mercado no país. Os 65% restantes são adquiridos pela petroquímica nacional da Petrobras.

Com o ritmo lento de crescimento de importantes mercados consumidores de nafta, como Estados Unidos e União Europeia, analistas apostavam que os preços da matéria-prima não teriam muito fôlego para subir, segundo Carvalho. “As cotações chegaram a apresentar um descolamento entre o petróleo e nafta em parte do terceiro trimestre deste ano, com a queda da commodity, mas a correlação entre os dois produtos voltou.”

Ontem, as cotações do petróleo Brent fecharam a US$ 91,53 o barril (segundo contrato). Nos últimos 12 meses, as cotações do óleo acumulam alta de 16,75% – em 24 meses apresentam valorização de 117,3%. As recentes altas refletem as políticas americanas de estímulo à economia, o que deverá elevar o consumo de combustíveis naquele país.

As indústrias de transformação, a chamada terceira geração da petroquímica, têm expressado nos últimos meses preocupação com o rumo do setor, uma vez que parte do segmento está perdendo competitividade, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plásticos). “Há um crescimento significativo da importação de produtos prontos”, afirmou. Agora, com a elevação dos preços de uma das principais matérias-primas do setor e a expectativa de que as cotações se mantenham firmes, a apreensão se acentuou.

Dados da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) mostram que o índice de produção de matérias químicas de uso industrial, de acordo com informações ainda preliminares, registrou aumento de 6,98% em outubro – o melhor patamar de toda a série iniciada pela entidade. Uma parcela importante desse bom desempenho é atribuída à demanda mais forte em diversos segmentos consumidores de produtos químicos, além de melhor rendimento na produção atribuído ao recebimento de matérias-primas de melhor qualidade.

A melhora na demanda no país também pode ser constatada pela elevação do volume importado, que cresceu 14,8% em outubro sobre setembro. Em outubro, o índice de preços das vendas internas subiu 1,15% sobre o mês anterior, o segundo resultado positivo consecutivo, refletindo o comportamento do mercado internacional. No acumulado de janeiro a outubro de 2010, sobre igual período do ano passado – marcado ainda pelos reflexos negativos da crise – registrou 8,57% de aumento de produção e 9,81% de preços.

O índice de utilização da capacidade instalada do setor petroquímico atingiu 90% em outubro, o mesmo percentual atingido no mesmo mês do ano passado, mas sete pontos percentuais acima da média de setembro. Segundo a Abiquim, todos os grupos analisados, sem exceção, melhoraram os níveis de operação – os destaques ficam para segmentos intermediários para detergentes, que operou a plena carga, e solventes industriais e produtos petroquímicos básicos, ambos trabalhando com 96% de carga. Além disso, cloro e álcalis e intermediários para fertilizantes operaram a 90%. De janeiro a outubro de 2010, a taxa média de utilização da capacidade atingiu 84%, quatro pontos acima do mesmo período de 2009.

Fonte:
http://www.valoronline.com.br/impresso/braskem/1884/348213/preco-da-nafta-atinge-a-maior-alta-puxado-por-petroleo-e-demanda