Author: quimicryl

Iniciativa prevê acompanhamento da obra por especialistas, ingerência de suprimentos sobre o almoxarifado e mudança no controle do consumo de materiais

Pâmela Reis, da revista Construção Mercado

A Gafisa está desenvolvendo uma reestruturação de processos internos para minimizar os gargalos de produção ocasionados pela alta demanda de obras. Batizado de Projeto Construir, a iniciativa foi estruturada após um diagnóstico das principais dificuldades enfrentadas nos canteiros de obra da empresa.

O projeto está calcado em três pilares. O primeiro deles é a alocação de especialistas nas áreas de fundações, estruturas, instalações e acabamento para acompanhar a execução da obra, dando apoio técnico ao engenheiro. “Identificamos uma baixa senioridade no campo, ou seja, os engenheiros estão mais novos. Um dos pilares do Projeto Construir é fazer com que esses especialistas deem suporte à engenharia de campo para garantir a performance do projeto desenvolvido”, explicou Mario Rocha Neto, diretor superintendente de construção da Gafisa.

A segunda medida veio da constatação de que as medições de consumo de materiais constantemente ficavam descoladas da realidade, deixando os custos vulneráveis. Para remediar a situação, o almoxarifado das obras passou a responder diretamente à área de suprimentos da Gafisa, e não mais à obra, acirrando o acompanhamento do consumo e da logística pelas áreas internas.

A terceira mudança afetou a forma como os insumos são cadastrados do ERP da empresa, para facilitar a auditoria pela área de planejamento e controle. “Antes nossa orçamentação era feita por item, por exemplo, 5 mil m³ de concreto para determinada obra”, comenta Mario Rocha Neto. “Estamos passando a cadastrar o concreto no ERP por laje, ou seja, ao invés de cadastrar 5 mil m³ de concreto e dar baixa no volume consumido ao longo da obra, cadastramos por laje e via sistema conseguimos auditar se houve desvios ou não. Só então vamos para uma auditoria física”.

Rocha Neto foi um dos palestrantes do seminário Superdemanda de Obras e os Desafios da Produção, realizado pela PINI nesta terça-feira (14).

Fonte: PINIweb

O crescimento da renda das famílias, a rigorosidade na regulação do mercado financeiro e a alta taxa de juros seriam indicadores de que o mercado não corre risco

Pâmela Reis, da revista Construção Mercado

O economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados, descartou a possibilidade de haver uma bolha no mercado imobiliário brasileiro. “Nossos preços aumentaram porque a demanda foi liberada”, afirmou ele durante sua apresentação no seminário “Ampliando o funding para o mercado imobiliário”, promovido pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) em 2 de junho.  Para Mendonça Barros, o crescimento da renda do brasileiro justifica a forte demanda, mas há uma série de fatores macroeconômicos que ajudam a eliminar o risco de um eventual crescimento artificial dos preços. 

De acordo com estudo desenvolvido em 2010 pela MB Associados, a pedido da Abecip, “a economia brasileira hoje segue em trajetória sustentável, sem riscos macroeconômicos de curto prazo relevantes. (…) a perspectiva é de continuidade de crescimento da economia para os próximos anos, com taxa média de expansão do PIB entre 4,5% e 5% até 2015”. O estudo aponta que não há sinais de mudança política ou econômica que implique em maior liberalização financeira ou conduza a taxas de juros excessivamente baixas.

A forte regulação do sistema financeiro do país seria uma razão para confiar na solidez do cenário econômico. “Há uma grande quantidade de informações que o setor bancário precisa repassar para o BC [Banco Central], o que garante que situações de risco sistêmico não se formem com facilidade”. Além disso, o grau de alavancagem dos financiamentos imobiliários ainda é baixo, comparado a outros países, e o mercado secundário ainda é incipiente. O estudo cita o caso dos CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), cujo estoque não passa de 12% total de crédito imobiliário, enquanto nos Estados Unidos a securitização correspondia à quase totalidade do financiamento.

O estudo ressalta ainda as altas taxas de juros do Brasil. As bolhas de preços de ativos, em geral, aparecem em situações onde a liberalização financeira leva a taxas reais de juros negativas ou muito baixas. Nesse sentido, “a Selic ainda é cara para o tomador e deveríamos ter vários anos seguidos de custo do dinheiro baixo para fornecer espaço para o crescimento de outros preços de ativos”, afirma o texto do estudo.

Por fim, a oferta de imóveis normalmente demora para alcançar a demanda, já que se trata de bens que levam tempo para serem construídos. Num momento em que a demanda brasileira por imóveis é maior que a oferta é natural que os preços sejam pressionados.

Veja a íntegra do estudo aqui

Fonte: PINIweb

Dois Projetos de Lei, cada um sobre um tipo de cobertura, tramitam simultaneamente na Câmara Municipal com o objetivo de melhorar o conforto ambiental dos imóveis

Mauricio Lima

A Câmara Municipal de São Paulo discute atualmente dois Projetos de Lei referentes às coberturas dos imóveis da cidade. Um deles, o PL 615/09, de autoria do vereador Antônio Goulart (PMDB), prevê que todos os imóveis da cidade sejam pintados na cor branca, enquanto o outro, o PL 115/09, proposto pela vereadora Sandra Tadeu (DEM), prevê que novos condomínios edificados com mais de três unidades contem com “telhado verde”. Os dois PLs já foram aprovados em primeira fase pela Câmara, mas ainda não há estimativa para as votações em definitivo.

Projeto de Lei que exige obrigatoriedade, principalmente pela cobertura branca em toda a cidade, gera polêmica no setor

O objetivo dos projetos é o mesmo: diminuir as ilhas de calor na capital paulista. O telhado branco contribui para essa redução, pois tem como uma das características a capacidade de refletir os raios solares, enquanto telhados escuros absorvem esses raios, aumentando as ilhas de calor. Já a camada de terra dos “telhados verdes”, por sua vez, promove o aumento da inércia térmica da cobertura, de modo que sua temperatura não mude tão rapidamente.

Apesar dos dois sistemas apresentarem características para melhorar o conforto térmico do ambiente, o setor apresenta opiniões diferentes sobre o tipo de cobertura mais adequada. O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) divulgou recentemente uma nota afirmando que “a utilização da cor branca ou clara de forma generalizada pode trazer problemas funcionais para o ambiente construído, pois a excessiva reflexão de luz pode causar ofuscamento e desconforto visual para ocupantes de edifícios vizinhos”.

O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também divulgou notícia convergente à posição do CBCS em seu site : “Além de desnecessária, a especificação de qualquer cor ignora necessidades estéticas, culturais e de funcionalidade, podendo descaracterizar conjuntos históricos”.

Já o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), por meio da campanha “One Degree Less”, defende que se os raios forem refletidos, além da diminuição do número de ilhas de calor, há também a redução da utilização de ar-condicionado, diminuindo a emissão de gás carbônico. O conselho cita inclusive um estudo realizado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, que mostrou que coberturas escuras absorvem 80% do calor e as claras refletem até 90% da luz solar.

Segundo a pesquisadora Maria Akutsu, responsável pelo Laboratório de Higrotermia e Iluminação do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) o problema está na obrigatoriedade do uso de um dos sistemas, se um dos projetos for aprovado, já que a aplicação de quaisquer soluções dependem de vários fatores, que podem não ser necessariamente adequados para todos os casos. O arquiteto Lourenço Gimenes, do escritório FGMF, compartilha da mesma opinião: “A aplicação desses dois tipos de telhados deve ser estudada caso a caso. Se você tiver uma cobertura que é ocupada pela caixa do elevador, pela caixa d’água e por painéis solares, você vai pintar o quê de branco? Ou vai colocar um pequeno espaço com vegetação?”.

Gimenes ainda defende que a cobertura não é o único fator a provocar um impacto térmico no edifício. “As fachadas norte, leste e oeste recebem calor praticamente o dia todo, mas é dada pouca atenção para elas, que têm um impacto muito maior no conforto térmico”, diz o arquiteto.

Entre as duas opções de cobertura, a pesquisadora do IPT ainda defende o telhado verde que, segundo ela, traz vantagens como a melhoria da qualidade do ar e a maior retenção de água da chuva. Caso o PL favorável às coberturas brancas seja aprovado, ela observa alguns fatores que merecem atenção: “deve-se primeiro haver cuidado com a qualidade da tinta, para que não crie fungos. Além disso, uma telha cerâmica, ao ser pintada, por exemplo, pode perder algumas de características, como a porosidade”, finaliza.

Fonte: Fonte: PINIweb

Construtora Paulista deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela empresa negociada

A Rossi Residencial adquiriu 70% da construtora Norton, uma das maiores do setor na região Nordeste do País. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a nova empresa será chamada de Norcon Rossi. A IGC-Partners e o Banco BTG Pactual atuaram como assessores da Rossi na transação.

A partir de agora, a Rossi deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela Norcon, que ainda será responsável pela realização de novos empreendimentos imobiliários. Segundo Cassio Audi, diretor financeiro e de relações com investidores, o objetivo da nova empresa é lançar R$ 2,8 bilhões até 2013.

A Rossi será responsável pela gestão financeira e operacional da Norcon Rossi, enquanto a Norcon fornecerá os terrenos e a mão de obra. Além disso, ambas as empresas já operam com a tecnologia de construção em pré-fabricados. A parceria faz parte da estratégia da Rossi de diversificar suas atividades para novas regiões que apresentam alto potencial de desenvolvimento de negócios e continuar crescendo nos mercados onde já está presente.

Resultados

No final da semana passada, a Rossi divulgou que as vendas no primeiro trimestre de 2011 totalizaram R$ 768 milhões, 15% superior ao primeiro trimestre de 2010. Já os lançamentos registraram R$ 723 milhões, aumento de 27% comparado com o mesmo período de 2010. Nos primeiros três meses de 2011, a empresa lançou 11 empreendimentos, somando 2.650 unidades.

Fonte: PINIweb

Segundo pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias, escassez ainda é maior entre os trabalhadores de nível básico. Pedreiros e serventes não são encontrados por 94% das empresas.

À medida que o setor da construção civil cresce, aumentam os problemas com a contratação de profissionais no País. Segundo sondagem especial realizada pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias), 89% das empresas da construção civil sofrem com a falta de mão de obra qualificada.

Ainda de acordo com o estudo realizado em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), a escassez não se limita aos profissionais mais especializados. Entre os empresários que enfrentam dificuldades com as contratações, 94% não encontram trabalhadores de nível básico, como pedreiros e serventes.

Segundo os entrevistados, as categorias profissionais em que a falta de qualificação traz maiores prejuízos ao funcionamento das empresas são aquelas vinculadas diretamente à execução da obra. Há falta de funcionários de nível básico, como pedreiros e serventes; de nível técnico, como encarregados e mestres de obra; de funcionários especializados, como engenheiros e arquitetos; e de profissionais da área gerencial. Os resultados contrastam com estimativa do Ipea divulgada recentemente, a qual aponta que a construção civil terá 170 mil trabalhadores sem emprego em 2011.

Na avaliação de 61% dos empresários entrevistados pela CNI, a baixa oferta de mão de obra qualificada reduz a produtividade do setor. Para 59% dos participantes da pesquisa, essa situação compromete a qualidade das obras e 57% disseram ter problemas com o cumprimento dos prazos. “A perda de qualidade e o atraso nos prazos de entrega das obras resultam em perda de competitividade para o restante da economia brasileira”, afirmaram os pesquisadores. O atraso nas entregas de obras também pode acarretar outro problema às construtoras se um projeto de Lei que tramita na Câmara dos deputados for aprovado. O PL 178/2011 prevê a anulação de tolerância em atrasos na entrega de obras. As construtoras só ficarão isentas de multas se comprovarem que a demora decorreu de dolo ou culpa do consumidor.

Durante a sondagem, um dos principais problemas apresentados foi a alta rotatividade dos profissionais, além da baixa qualidade da educação básica no País. Para melhorar o cenário, 64% dos donos de construtoras investem em capacitação de pessoal dentro da própria empresa e 45% adotam incentivos para retenção do trabalhador, como aumento de salários e outros benefícios. Outros 43% terceirizam serviços ou processos da produção.

A pesquisa foi feita com 385 empresas entre os dias 3 e 20 de janeiro. Entre as empresas entrevistadas 191 são de pequeno porte, 145 são médias e 49, grandes.

Fonte: Piniweb

Além da falta de mão de obra especializada, demora em obter documentação da obra compromete o cumprimento de prazos.

Naiana Oscar e Luiz Guilherme Gerbelli –
O “boom imobiliário” escancarou uma série de gargalos na indústria da construção civil nos últimos anos. Alguns deles, como a escassez de material e de máquinas, estão aos poucos sendo superados com gestão e planejamento. Mas ainda há dois entraves que a indústria não dá jeito de vencer: a falta de mão de obra e a burocracia, que emperra obras e reduz a rentabilidade do setor.

A cidade de São Paulo, segundo os empresários, é um bom exemplo disso. Eles relatam que antes da retomada do setor imobiliário os trâmites para obter alvarás e regularizar a obra levavam em média seis meses para serem concluídos. Agora, não duram menos de um ano. Um projeto mais complexo pode ter de passar pelo crivo de até 10 secretarias municipais, sem contar os órgãos colegiados, que se reúnem a cada 15 dias para avaliar os pedidos. São quilos de papéis levados de um lado para o outro.

“O fato é que registramos um crescimento de 40% nos últimos cinco anos e os órgãos públicos mantiveram as mesmas estruturas”, afirma Celso Petrucci, economista do Secovi-SP. Ele considera a burocracia o maior obstáculo enfrentado pelo setor atualmente e diz que esse é um dos principais fatores que podem frear o crescimento do mercado imobiliário daqui para a frente.

Da compra do terreno até a entrega das chaves, as incorporadoras se deparam com dois momentos críticos para a documentação. Primeiro, para obter o alvará do projeto, que libera a venda das unidades, e, em seguida, para conseguir a autorização de construção. Essas etapas iniciais não chegam a impactar no prazo para entrega das chaves ou gerar atraso para o consumidor. “Mas doem no nosso bolso, e quem acaba pagando por isso, no fim, é o cliente”, diz Petrucci.

Na segunda-feira passada, o Estado revelou que, para evitar desgastes com atrasos de obras, as incorporadoras passaram a trabalhar com prazos maiores. No primeiro trimestre de 2007, 25% dos empreendimentos lançados na Grande São Paulo tinham prazo de entrega entre 30 e 45 meses, o máximo praticado no setor. Agora, eles já são 40% dos lançamentos.

No ano passado, a Secretaria de Habitação de São Paulo autorizou a construção de 9,4 milhões de metros quadrados. O secretário Ricardo Pereira Leite admite que o processo está cada vez mais complexo. “Mas isso é resultado de exigências da própria sociedade, que quer evitar impactos ambientais e de trânsito, por exemplo. Por isso as restrições aumentaram.”

Com o prédio praticamente concluído, começa a corrida para obtenção do “habite-se” (ou alvará de conclusão). Na capital paulista, o documento é emitido pelas subprefeituras. Em 2010, elas concederam um total de 3,8 mil certificados.

Essas documentações finais é que podem contribuir com o atraso na entrega das chaves para o morador. Sem o “habite-se”, as construtoras têm invadido o prazo de 180 dias previstos em contrato, para atrasos eventuais. “Isso era raro de acontecer e virou regra”, diz Ricardo Yazbek, vice-presidente do Secovi.

Além dos órgãos públicos, os cartórios de registro de imóveis também estão sobrecarregados, principalmente depois do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que prevê isenções de taxas cartoriais. “São centenas de matrículas que chegam para serem feitas de graça”, afirma o presidente da Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo, Flauzilino Araújo.

Os cartórios têm prazo de 30 dias para concluir os serviços. “Mas em algumas cidades, chega a ultrapassar os 60 dias”, diz uma fonte. Os donos de cartórios negam que não tenham capacidade para atender à demanda do programa, mas dizem que, financeiramente, ele tem se tornado inviável.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110428/not_imp711790,0.php