Author: quimicryl

Relatório final foi entregue nesta quarta; Sabesp diz haver ‘imprecisões’. Vereador estuda medida judicial para indenizar população por falta de água.

A CPI da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo apresentou nesta quarta-feira (10) o relatório final da investigação, iniciada em agosto de 2014. O documento responsabiliza a Sabesp pela falta de água em São Paulo, recomenda mudanças na relação entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa e sugere que o município de São Paulo tenha uma autoridade reguladora e fiscalizadora municipal, para monitorar a política de saneamento básico. Para a Sabesp, houve “muitas imprecisões no relatório da CPI”.

O presidente da CPI, Laércio Benko (PHS), responsabiliza “totalmente” a Sabesp pela falta de água em São Paulo e diz que estuda uma ação judicial para que a empresa indenize os paulistanos pelas falhas no abastecimento.  “A CPI foi muito produtiva e fizemos um relatório contundente”, afirmou.

“Temos a concluir que o objetivo primordial desta Comissão Parlamentar de Inquérito foi trazer à discussão a grave crise hídrica e a falta de ação da Sabesp para evitar os transtornos passados pela população com o racionamento de água”, diz o relatório.

Em nove meses, os vereadores produziram um documento de 171 páginas com 55 recomendações sobre a crise hídrica em São Paulo. O texto será levado ao prefeito Fernando Haddad (PT), ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao presidente da Sabesp, Jerson Kelman, e ao Procurador-Geral de Justiça.

Os vereadores questionam papel da Arsesp, que como agência reguladora estadual pode ter sua indepência comprometida na fiscalização da Sabesp, também subordinada ao governo estadual.

A CPI foi criada para investigar o contrato entre a Prefeitura e a Sabesp no momento em que o estado enfrenta uma crise hídrica. Durante seu funcionamento, ouviu duas vezes a ex-presidente da Sabesp, Dilma Penna, e duas vezes o atual presidente da empresa, Jerson Kelmann.

Candidato derrotado ao governo de São Paulo em 2014,  Benko (PHS) nega que a comissão tenha tido motivações políticas. A CPI reivindica que a Sabesp torne permanente o bônus na conta de água para reduzir o consumo e que a empresa adote ações para reduzir perdas de água.

Outro lado
Para a Sabesp, “a CPI não entendeu que a seca de 2014 foi um evento extremamente raro, com probabilidade de ocorrência de 0,004 – ou seja, chance de ocorrer, em média, uma vez a cada 250 anos”.

A companhia afirmou que obras foram feitas para garantir maior distribuição de ága. “De 1995-2014, foram R$ 10,9 bilhões investidos pela Sabesp em produção e distribuição de água. Só em 2014, foram de R$ 1,307 bilhão. Também não faltaram investimentos no combate às perdas. Nos últimos dez anos, o índice de perdas físicas por vazamentos foi reduzido em 10 pontos percentuais, estando hoje em 18,8%, próximo aos 16% do Reino Unido”, diz nota.

Além disso, a empresa afirma que a CPI se “equivocou” ao concluir que a população não foi informada sobre a crise hídrica.  “Além de comunicar diariamente pela imprensa a situação de escassez de chuvas, a Sabesp realizou oito campanhas publicitárias ao longo de 2014, com mais de três mil inserções de TV e mais de 13 mil de rádio, o que permite estimar que cada paulistano foi impactado no mínimo 40 vezes pelas mensagens de economia de água”, diz o texto.

“São tantas as imprecisões do relatório da CPI, que o texto chega ao ponto de afirmar que ‘apurou-se que a qualidade da água’ da reserva técnica ‘traz riscos à saúde’. Os autores do documento ignoraram que esta mesma água abastece Campinas há mais de 30 anos, sem que se tenha constatado qualquer prejuízo à saúde dos consumidores. A Sabesp questiona: qual o laboratório que apurou haver problemas com a qualidade da água?”, diz a nota.

A Sabesp concordou com os vereadores quando constataram que há “situação de degredação ambiental”. “As ocupações irregulares, sobre as quais a companhia não tem como atuar, são as principais responsáveis por esta situação”.

Fonte: G1

Diminuição do desmatamento da Mata Atlântica, redução da emissão de gases e energia elétrica gerada do lixo são alguns dos dados positivos

O caminho para um mundo ecologicamente sustentável ainda é longo. Nem todas as notícias são boas: o Brasil continua desmatando muito e os países industrializados emitindo muitos poluentes.

Mas nesta sexta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, há conquistas a serem celebradas. E para dar mais ânimo aos ambientalistas e para que cada um continue a fazer sua parte, selecionamos 10 boas notícias no Brasil e no mundo.

1. Desmatamento da Mata Atlântica cai 24%

Apesar do descontentamento com o impasse na implementação do Código Florestal por parte de ONGs, existem conquistas a serem comemoradas. De acordo com estudo divulgado em maio pela Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento da região teve uma queda de 24% no período de 2013 a 2014. Baseado na análise de imagens de satélites, o levantamento registrou que os Estados que menos desmataram foram São Paulo, seguido de Rio Grande do Sul e Pernambuco.

Mesmo o campeão do desmatamento, o Piauí, teve um aumento no número de hectares preservados. Em entrevista concedida a veículos de comunicação, a diretora executiva da fundação, Marcia Hirota, afirmou que “preservar o que restou e restaurar o que se perdeu precisa ser uma agenda estratégica para o País”.

2. Cresce o número de produtores orgânicos

Você já compra produtos orgânicos? Embora ainda mais caros, o mercado está em crescimento, e quanto mais gente consumir, a tendência é baratear. A adesão de produtores brasileiros aos orgânicos cresceu cerca de 51,7% entre janeiro de 2014 e janeiro deste ano. Além de alimentos mais saudáveis, os orgânicos promovem a conservação e a recomposição dos ecossistemas. Por região, o Nordeste é o que mais possui unidades de produção, seguido do Sul e Sudeste. A área total de produção orgânica no Brasil já chega a quase 750 mil hectares. Procure a feirinha orgânica perto da sua casa!

3. Compromissos para reduzir emissões de gases

Com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP21) em Paris no horizonte, países estão se comprometendo desde já a reduzir suas emissões de poluentes. A União Europeia (UE) propôs oficialmente corte de pelo menos 40% de suas emissões de gases de efeito estufa até 2030, em relação a 1990. A UE foi um dos primeiros blocos a declarar proposta de redução de gases para o novo tratado global, que deve ser implementado em 2020. De acordo com a rede Observatório do Clima, o México foi o primeiro país em desenvolvimento a registrar a sua contribuição para o acordo. Os mexicanos se propõem a reduzir, também até 2030, 22% de seus gases de efeito estufa em relação ao que emitiriam se nada fosse feito. A COP21 ocorre em dezembro deste ano.

4. Mais energia solar

Hoje, menos de 1% da população brasileira usa a energia solar dentro de casa. Mas a previsão para os próximos anos é mais animadora: até 2050, ou seja, daqui 35 anos, cerca de 13% das casas no país utilizarão esse tipo de energia que, além de mais barata, é sustentável. Os dados foram divulgados neste ano pelo Plano Nacional de Energia 2050.

Ainda de acordo com o levantamento, estima-se que, até 2050, 24% do aquecimento de água dos domicílios seja feito usando o calor do sol, contra os atuais 5%. Com isso, o uso de eletricidade para esse fim cairá de 88%, em 2013, para 38% em 2050, liberando essa energia para outros usos.

5. Frigoríficos pelo Desmatamento Zero

Há alguns anos, foi lançado um levantamento pela ONG Greenpeace que mostra a relação entre empresas frigoríficas e o desmatamento da floresta amazônica. Após a divulgação, os três maiores frigoríficos do Brasil (JBS, Marfrig e Minerva) assumiram um compromisso de negociarem carne e couro apenas com fazendas que não recorressem ao desmatamento, uso de trabalho escravo ou invasão de áreas protegidas.

De acordo com a ONG, em 2015 as empresas divulgaram uma parte dos resultados do trabalho mais consciente, que mostra que eles têm cortado relações comerciais com fazendas que apresentam esse tipo de trabalho. Em depoimento ao site da ONG, Adriana Charoux, que faz parte da campanha, afirma que os frigoríficos têm equipes dedicadas a monitorar diariamente as fazendas de forma mais precisa.

6. EUA na liderança do debate climático

Maior economia e historicamente o maior emissor de poluentes, os Estados Unidos estão mudando de papel no debate climático. Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, os últimos anúncios referentes à redução de emissão de gases do país devem ser celebrados. Os EUA apresentaram um conjunto de ações com o objetivo de reduzir as emissões de metano, que hoje representam cerca de 10% dos gases de efeito estufa emitidos na região. As reduções prometidas vão de 40% a 45% até o ano de 2025, em relação aos índices de 2012. A Agência de Proteção Ambiental do país também deve introduzir normas específicas para novas instalações petrolíferas e de gás. As propostas serão feitas neste ano e as regulamentações devem começar a valer em 2016.

Em relação ao compromisso com a Cop21, em Paris, os Estados Unidos apresentaram às Nações Unidas sua proposta de contribuição. De acordo com a rede Observatório do Clima, o documento registra a meta, anunciada ainda em 2014, do corte de 26% a 28% das emissões do país em relação a 2005, sendo o prazo final o ano de 2025.

7. Gás gerado a partir do lixo vira energia no sul do País

Nesta semana, o Estado do Rio Grande do Sul recebeu a primeira usina de geração de energia feita a partir do gás de aterro sanitário do Estado. A construção está localizada em Minas do Leão, a cerca de 80 km de Porto Alegre. O projeto está habilitado pela ONU para a venda de créditos de carbono. Estima-se que 3,5 mil toneladas de resíduos sólidos que são recolhidos diariamente em cidades gaúchas sejam transformadas em energia limpa. A usina terá capacidade para abastecer uma cidade de até 80 mil habitantes e contou com investimento de R$ 30 milhões.

8. China pune usinas siderúrgicas poluidoras

A China, um dos países que mais geram poluentes ao planeta, também tomou medidas em 2015. O ministério do Meio Ambiente da China ordenou que governos locais em duas importantes regiões produtoras de aço tomem medidas mais duras contra usinas poluidoras como parte dos esforços feitos no país para a melhora da qualidade do ar. Segundo a agência de notícias Reuters Brasil, empresas chinesas teriam violado leis ambientais e até fornecido dados ambientais falsos. A China colocou em vigor uma nova legislação ambiental a partir deste ano e agora pode impor multas ilimitadas e penas de prisão a autoridades do país que não entrarem em conformidade com os novos padrões exigidos.

9. Investimentos em energia eólica

O Brasil deve alcançar, no próximo ano, a segunda ou terceira colocação no ranking de países que mais investem no aproveitamento dos ventos como fonte de energia, podendo subir para a sexta posição mundial em capacidade instalada. A previsão é da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

De acordo com o relatório anual do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), no ano passado, o Brasil foi o quarto país no ranking de aumento da capacidade eólica. Em relação à capacidade instalada, ocupava a décima posição, subindo três colocações em relação a outros anos. Segundo o estudo, o Brasil é um dos mercados mais promissores para a energia eólica para os próximos cinco anos.

10. Painéis solares mais baratos

Ter um painel solar na sua casa vai ficar mais barato. A isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a tecnologia é uma das conquistas deste ano. A possibilidade de gerar sua própria energia de maneira mais sustentável e democrática depende que seu Estado esteja entre os que aderiram à medida, como Pernambuco, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Informe-se: se o seu Estado não está na lista, é hora de pressionar o governo.

Fonte: Terra

Eficiência. Diante da crise nos reservatórios, soluções ambientais são desenvolvidas para economizar

A atual situação das bacias hidrográficas de Minas Gerias é motivo de preocupação. Parte dos reservatórios está sob estado de atenção, segundo dados do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

A situação é pior no Sistema Paraopeba (Rio Manso, Vargem das Flores e Serra Azul), que abastece parte de Belo Horizonte e algumas cidades da região metropolitana, como Contagem e Betim. Estudos apontam risco acima de 70% de desabastecimento até o final do período seco.

“Nos últimos três períodos chuvosos, nós tivemos chuvas abaixo do normal, e os níveis dos reservatórios baixaram muito. Para esses reservatórios do Sistema Paraopeba foi declarado estado de escassez”, explica Jeane Dantas de Carvalho, gerente de Monitoramento Hidrometeorológico e Eventos Críticos do Igam.

Só o segmento da construção civil é responsável pelo uso de 16% de toda a água potável, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Para driblar a escassez e assumir uma postura ambientalmente correta, algumas construtoras estão adotando práticas sustentáveis.

Alguns edifícios já estão recebendo o sistema de “reúso de águas cinza”. “A água utilizada nos banhos e pias dos banheiros é transferida para um compartimento, onde é feito um tratamento para que possa ser reutilizada. É possível economizar até 5.000 litros por dia”, explica Thiago Xavier Gonçalves, gerente de comunicação da Conartes.

Outro método adotado é o uso de descargas econômicas – dual flash – que gastam até 50% menos água. Também já é possível reduzir o desperdício reutilizando água de condensação do sistema de ar-condicionado. “A água passa por um processo de tratamento para molhar as áreas verdes. Essa água do ar-condicionado pode ser utilizada mesmo nos períodos de seca”, explica Letícia Valle, arquiteta da Caparaó.

Soluções conta o desperdício

Métodos de economia podem ser adotados em qualquer imóvel. A empresa Seetec, por exemplo, oferece soluções ambientais personalizadas.

“Trabalhamos com otimização de água, evitando desperdício em residências, hotéis, escolas e até hospitais. Fazemos um estudo de cada caso e propomos mudanças, como regular a vazão de torneiras e padronizar a vazão nos andares dos prédios. A instalação é rápida, o investimento é barato, e a economia pode chegar a 55% no caso de escolas”, afirma Aubrey Magalhães, diretor da empresa.

Fonte: O Tempo

Reajuste aprovado por agência atinge 359 cidades da Grande São Paulo. Contas com reajuste começam a chegar nesta sexta-feira (5).

As tarifas de água de cidades abastecidas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estão 15,24% mais caras desde esta quinta-feira (4). O aumento foi aprovado em maio pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp), que citou a crise hídrica e a maior demanda de energia elétrica usada nas bombas como justificativa.

As contas mais caras começam a chegar na casa dos clientes de 359 cidades operadas pela companhia na Região Metropolitana de São Paulo e no interior a partir de sexta-feira (5), com a cobrança proporcional aos dias das tarifas antes e depois do reajuste, de acordo com a Sabesp.

Os municípios de Diadema, Glicério, Magda, Torrinha e Lins terão tarifas atualizadas em datas diferentes por questões contratuais No site da companhia possível consultar a lista completa dos novos valores que serão cobrados para clientes residenciais, comerciais e industriais.

Reajuste abaixo do esperado
O reajuste de 15,24% ficou abaixo dos 23% solicitado pela companhia após várias negociações com a Arsesp. Em novembro de 2014, a Sabesp já havia obtido autorização para aumentar a conta em 6,5%.

Segundo o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, obras consideradas não prioritárias serão adiadas por causa do reajuste menor, mas os projetos que serão alterados ainda não foram definidos.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, garantiu que nenhuma obra importante contra a crise hídrica prevista para 2015 será afetada.

Reajuste ‘correto’
Após a liberação do reajuste, o governador de São Paulo disse considerar “correto” o aumento de 15,24% na tarifa de água cobrada pela Sabesp. “A decisão da Arsesp foi correta. A Arsesp verificou todos os indicadores e aumento de custo, especialmente o da energia elétrica, queda de produção pela restrição hídrica, questões da chuva, e corretamente estabeleceu o valor”, afirmou Geraldo Alckmin.

O governador garantiu que nenhuma obra importante contra a crise hídrica prevista para este ano será afetada. Segundo ele, a companhia pagará a diferença dos valores previstos se houver falta de recursos por causa do reajuste menor. “A Sabesp tem uma grande capacidade de investimento e as obras prioritárias elas serão mantidas com recursos próprios da Sabesp e com financiamento que já estão estabelecidos”, disse.

Prejuízos com a crise

Em março, o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse em entrevista ao G1 que a companhia vive uma situação econômica difícil porque houve uma perda de receita com a queda no consumo de água e na concessão de bônus para quem economizasse.

Quando as represas secaram no ano passado, o lucro da Sabesp caiu dos quase R$ 2 bilhões em 2013 para R$ 903 milhões em 2014.

Já nos primeiros três meses deste ano, a companhia teve queda de 33,4% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre de 2015, o lucro foi de R$ 318,2 milhões, contra R$ 477,6 milhões em 2014.

Mas, segundo Alckmin, apesar de a Arsesp ter permitido que a Sabesp suspenda, quando quiser, a política de descontos para equilibrar o caixa, o bônus na conta será mantido.

O governador apontou uso racional da água e obras estruturantes já em andamento como a estratégia para que São Paulo passe pelo período seco com garantia de abastecimento da população.

Fonte: G1

Medida deve deixar sistema estável até fim do ano, mas com volume morto. Novos limites de retirada de água foram definidos em SP nesta segunda.

A partir de setembro, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terá que reduzir para 10 m³/s o volume de água captado do Sistema Cantareira. Isso significa queda de 25,9% na atual vazão liberada para abastecimento da população na Grande São Paulo, de 13,5 m³/s, a partir de junho. Antes da crise, a Sabesp chegou a retirar 33 m³/s do manancial.

Na prática, a redução da vazão não deve causar cortes no fornecimento de água porque a principal obra do governo paulista contra a crise hídrica este ano – a interligação da Represa Billings ao Alto Tietê – vai ampliar em 4 m³/s a produção de água para a região metropolitana e vai compensar a diminuição de volume de água tirado do Cantareira. A obra deve ser entregue até o começo de setembro, segundo o governador Geraldo Alckmin.

Já a liberação de água do Cantareira para a bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), no interior paulista, vai aumentar em 40%, dos atuais 2,5 metros cúbicos para média de 3,5 metros cúbicos a partir do próximo mês. Um metro cúbico (m³) corresponde a 1 mil litros.

As decisões sobre as novas vazões foram tomadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) na manhã desta segunda-feira (25) durante reunião na sede da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, na capital paulista, para definir a operação do Cantareira no período de junho a novembro. Representantes dos comitês das bacias hidrográficas do Alto Tietê e do PCJ também participaram do encontro.

A redução da retirada do Cantareira, manancial que mais sofreu com a crise hídrica desde o ano passado, fará com que o reservatório chegue até o período de chuva em 2015/2016 de maneira estável. Mas, segundo o superintendente do DAEE, Ricardo Borsari, o sistema ainda vai depender da sua reserva técnica, conhecida como volume morto e usada há um ano.

“Tendo em vista que há uma redução significativa da retirada do Sistema Cantareira, se você tiver cenários tão restritivos [de chuva] como em 2014, nós ainda chegamos em relação ao volume de água existente no Sistema Cantareira em uma situação mais confortável. Na verdade, a redução da retirada é que permite que o reservatório tenha um comportamento mais estável nesse período”, explicou o presidente da ANA, Vicente Andreu.

Principal obra para crise

Em setembro, o governo paulista prevê que a interligação da Represa Billings ao Sistema Alto Tietê esteja em operação. Essa é a principal obra do governo contra a crise hídrica este ano e irá aumentar em 4 m³/s a produção de água para a região metropolitana. O bombeamento fará com que regiões que hoje recebem água do Cantareira possam ser atendidas pelo Alto Tietê, ajudando a aliviar o manancial em crise.

A interligação estava prevista para estar concluída em maio, no início do período de seca, mas atrasou por causa que liberações de licenciamento ambiental, segundo o governo, e começou no início deste mês. O novo prazo para início das operações é fim de agosto ou começo de setembro.

O superintendente do DAEE, Ricardo Borsari, disse que a redução de retirada do Cantareira está relacionada ao cumprimento dos prazos para a entrega das obras de ligação da Billings ao Alto Tietê.

O Cantareira, manancial que passa pela situação de seca mais crítica, chegou a abastecer 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, mas por causa da queda do nível dos reservatórios desde o ano passado, o sistema atende hoje 5,4 milhões.

Também ficou definido que a ANA e DAEE poderão autorizar, se necessário, aumento da liberação para a bacia do Alto Tietê, na Estação Elevatória de Santa Inês, após solicitação dos Comitês PCJ ou da Sabesp. Até fim de agosto, os órgãos reguladores vão reavaliar a situação do Cantareira de acordo com as vazões de entrada e retirada de água.

Outras obras

Outra grande intervenção prevista é a ligação do Rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, o mais prejudicado pela crise hídrica. A obra já foi autorizada pela Agência Nacional de Águas, mas deve ficar pronta apenas no ano que vem. Essa é a principal intervenção direta no Sistema Cantareira.

As outras obras já em andamento vão socorrem os outros sistemas e ajudar o Cantareira de forma indireta. Isso porque a Sabesp fez modificações na rede e aumentou o número de consumidores abastecidos pelo Sistema Guarapiranga, por exemplo.

Em abril, a Sabesp anunciou, por exemplo, que uma nova adutora permitiu que o Sistema Rio Grande passasse a abastecer bairros na região de Pedreira, Zona Sul de São Paulo. A obra desafoga o Guarapiranga, que atendia essas áreas anteriormente. Com isso, o Guarapiranga pode passar a abastecer áreas que recebem água do Cantareira.

A ligação do Rio Guaiaó ao Sistema Alto Tietê, orçada em R$ 28,9 milhões, está em fase de conclusão e deve transferir à Represa de Taiaçupeba 0,8 metros cúbicos/segundo. Também para o Sistema Alto Tietê, a Sabesp prevê a captação de 2,1 metros cúbicos no rio Itatinga à Represa Jundiaí.

Fonte: G1